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Nas asas do vento


Nas asas do vento

 

CARTA AO VENTO
 

Cleiber,

VOCÊ me pediu uma opinião sobre o seu livro NAS ASAS DO VENTO. Acontece que para falar sobre esse poema-livro, vou extrapolar muito entrando com minhas vivências. Mas você mesmo é o culpado. Os seus versos tiveram o condão de despertar em mim muitas memórias e sensações, porque ele é um mundo e uma vida, uma teia dourada em que o poeta mágico faz o leitor enredar-se à medida que o autor vai tecendo os poemas e nos aprisiona em suas palavras.

OS versos deslizam naturalmente, ora profundos e interiores, ora brejeiros e maliciosos, muitas vezes tão visuais que sentimos estar dentro do cenário. Não conseguimos ficar à margem, meros espectadores. Como a folha de outono despertou de seu sono nas asas do vento, o ruído dessas asas também despertou, do sono do tempo, lembranças de vida, de presença no mundo, onde o vento também assobia como canto e lamento, como riso ou pranto, rebeldia, ousadia, leve embalo ou ventania, venha sua cantiga do norte ou do sul, das regiões polares, da noite ou do dia, com a voz rouca quente do siroco, com a violência do mistral, até com a audácia dos “ventos” atrevidos desfazendo “tranças”...

A VERDADE é que, até chegar à estrofe final, fui viajante e não leitora. É assim que eu considero a verdadeira poesia: palavras enleadas de maneira tal que absorvam o pensamento e os sentimentos das pessoas.

QUE delícia a história do vento nascendo para vida envolto “em azul lençol, com sua “infância de façanhas”, sua “nave de velas soltas” na mocidade, sua pesada sina de adulto, até com as maldades herdadas da vida!

QUANDO o vento confessa que “beijou a margarida diante do goivo ciumento”, eu “me” vivi a menininha de quatro anos no jardim da minha casa, tão do tempo antigo, olhando a jardineira escarlate para ver
se ela estava tão triste como dizia a marchinha de carnaval... Fiquei compadecida das pétalas de rosa espalhadas pelo chão. Pensei no risco que corriam as boninas cor-de-rosas às margens do caminho que ligava a minha rua à da Chapada e tanto encantavam meus olhos de criança. E mais adiante , no Minueto do Vento, foi no jardim da minha meninice que enxerguei o “baile nas flores”, a rosa girando, o lírio girando e flertando com a dália...

E TAMBÉM mergulhei nos meus temores e pavores; vivi-os de novo quando, estando “Deus zangado”, “o vento-irado corcel” galopava “na ventania” e o “eco do vento que” passava “no dorso da ventania” tamborilava “na vidraça” e vinham “trovão, estrondo, corisco, cada faísca novo risco”.

E QUE a “chuva miúda” gostosa de se apanhar; que “forte enxurrada” boa para patinhar; que fascinantes as “lágrimas do inverno” pingando nas folhas do arbusto que ficava em frente à minha janela. E eu, da altura da minha senectude tremendo de frio só de lembrar...

SERIA muito longo contar tudo que eu senti quando o vento de sua poesia me fez despencar na “vereda azul-celeste” do mundo mágico da minha infância. A sua poesia a um tempo forte e terna, romântica e sensual, reflexiva e maliciosa, intimista e visual, traz uma gama de sentimentos sempre apresentados de forma expressiva e atraente.

POETA, você me pediu uma opinião e eu mandei um testamento. Mas quem manda você escrever tão bonito para sensibilizar o coração e encher de água os olhos da gente?

PARABÉNS! Seu livro é sonho, é vida.

Avelina Maria Noronha de Almeida
Da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais
Da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette

  

R$ 20,00

Preço Especial

de lançamento:

R$ 16,00

Formato: 14 x 21

Acabamento: Brochura (lombada quadrada)

Número de Páginas: 44

Editora: SuaEditora
 

   

 


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Cleiber Andrade é mineiro de Conselheiro Lafaiete - MG. Escritor, dramaturgo e poeta, estreou em 1947 com a comédia de costumes UM DIA A CASA CAI... A seguir, ganhou os aplausos do público e da crítica com as peças ZERO HORA, UM ANJO CAIU DO CÉU..., inseridas na coleção do Teatro Nacional, da Editora Talmagráfica - Rio de Janeiro, DIVA, UM CAPIAU NA SOCIETY, A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA, O CACHECOL AZUL, ZÉ DO PINHO, O TRAPACEIRO, entre outras.  Escreveu especialmente para Procópio Ferreira, TRÊS DIAS SEM DEUS, que o saudoso e genial ator incorporou ao seu repertório e encenou por todo o Brasil.

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