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Um anjo caiu do céu...

PREFÁCIO
AVANÇAMOS muito – isto é fora de dúvida – na técnica teatral. As representações têm uma extraordinária significação psicológica no teatro moderno que mais do que nunca permanece fiel à sua grande função educativa contra cuja vanguarda não têm podido o rádio e o cinema.
MAS, para tanto, era necessário que a escola moderna do teatro lançasse mão de recursos e práticas até agora não utilizados. Há uma revolução completa no fundo e na forma. Foge-se à estática do teatro primitivo que trazia ao mesmo ambiente e cenários personagens para o evolver do drama. Essa imutabilidade de ambiente, não raro, forçava e sacrificava de forma dolorosa o enredo, sufocava os
intentos do autor e criava para o ator uma inverosimilhança já hoje inaceitável.
Vivemos uma época dinâmica a cujas influências não podia fugir o teatro, cartão de visita da cultura de qualquer país. E não somente na cena e no ambiente, senão também nos tipos caracteres que os atores vivem e interpretam.
ORA, aí está um esforço deveras notável que demanda reservas fabulosas de imaginação, em busca da qual o Autor de UM ANJO CAIU DO CÉU se tem salientado com adiantamento insuperável.
CLEIBER ANDRADE – não há como não reconhecer – tem sido um primoroso artesão do bom e sólido teatro moderno entre nós, e tanto que sua operosidade o tem feito transpor as fronteiras de Minas para firmar-se solidamente no aplauso e no conceito de grandes platéias das capitais brasileiras, ora com os consagrados atores Carlos Zara e Mirtes Grisoli, ora com Roberto Durval que excursionou com
a peça pelo Brasil.
O corte revolucionário tem marcado com inegável freqüência as peças do dramaturgo mineiro como DIVA, CONCERTO EM SI-BEMOL (sua maior criação) e agora vamos aplaudi-lo em UM ANJO CAIU DO CÉU, arrojada criação em que dois personagens vivem seis papéis diferentes com os mais profundos contrastes psicológicos, um desafio permanente aos atores de talento.
O telão sobe de vez no início e deixa que a platéia, em permanente suspense acompanhe o tremendo drama de um homem preso ao pavor de amar de novo.
A ciência vem em eu socorro e o ajuda, pela narcoanálise a remover a espinha dorsal irritativa de torturas íntimas que lhe davam a visão disforme e apavorante do momento presente.
A peça de um lavor notável e de uma sólida estruturação moral, sacode até os arcanos a degradação e a dissolução para repor em seu eterno lugar o amor puro e inspirado – única força que faz com que se encontre a sociedade que se busca.
Pelo seu contexto, pelo complexo do tema e pela carpintaria teatral, a peça merece uma platéia de altas qualidades de observações percucientes e de sentido humano. Não deixa de ser, por isso uma jóia.
Professor Astor VIANNA
| R$ 15,00 |
Formato: 15 x 21 Acabamento: Canoa (lombada com grampos) Número de Páginas: 48 Editora: SuaEditora |
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Cleiber Andrade é mineiro de Conselheiro Lafaiete - MG. Escritor, dramaturgo e poeta, estreou em 1947 com a comédia de costumes UM DIA A CASA CAI... A seguir, ganhou os aplausos do público e da crítica com as peças ZERO HORA, UM ANJO CAIU DO CÉU..., inseridas na coleção do Teatro Nacional, da Editora Talmagráfica - Rio de Janeiro, DIVA, UM CAPIAU NA SOCIETY, A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA, O CACHECOL AZUL, ZÉ DO PINHO, O TRAPACEIRO, entre outras. Escreveu especialmente para Procópio Ferreira, TRÊS DIAS SEM DEUS, que o saudoso e genial ator incorporou ao seu repertório e encenou por todo o Brasil.
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