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Uma vassoura na história do Brasil

Cleiber Andrade um renomado dramaturgo, natural de Conselheiro Lafaiete, após várias peças teatrais e inúmeros poemas resolveu escrever a obra: UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL, trata-se de uma entrevista surrealista com Jânio Quadros. Nesta obra, pode-se observar fatos verdadeiros e fictícios.O livro é uma sátira, e, segundo o próprio autor em entrevista nos concedida "sátira é a verdade exagerada". Diz que almejou fazer uma entrevista com maior grau de autenticidade possível. Optou por utilizar a linguagem teatral para que o leitor pudesse ter a idéia de estar vivendo ou ter "participado" da vida política de um presidente tão ilustre, egocêntrico, com vocação para "ditador", aspirando, talvez, governar ELE e o povo.
UM PREFÁCIO DESPICIENDO
Conheci Cleiber Andrade nas lutas pela restauração democrática, em 1945, nas disputas cívicas de então, em que marchamos lado a lado, ele companheiro leal e bravo,combatente lúcido e disposto.
Durante muitos anos , nosso convívio foi amiudado; e, quantas vezes, na Rádio Clube de Minas Gerais, no seu programa político , varei a noite em debates, perguntas e respostas, submetido a longa sabatina, difícil exame vago com os ouvintes!...
Depois, cada um foi para o seu lado, cuidar da vida, e raramente nos víamos.
E eis que, agora, Cleiber me aparece com "UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL" e me pede que diga alguma coisa a respeito, num prefácio desnecessário.
Cleiber não é marinheiro de primeira viagem, ao enfrentar a árdua navegação das belas letras: veleja, há muito, com experiência e tirocínio, pelo mar da literatura e pode orgulhar-se da obra que já realizou, sobretudo no teatro, onde se sente navegante destro com rumo, bússola e porto.
Essa a sua vocação, embora a feliz experiência poética de "INVERNO DA SAUDADE", que Oscar Mendes saudou, no prefácio que abre o livro,como " poesia singela e sincera, sem arrebatamentos, sem exotismos, sem experiências técnicas, sem arrancos condoreiros, sem esquisitices de forma...", em uma palavra, poesia-poesia, pura, autêntica.
No teatro, move-se com naturalidade e graça,tirando dos motivos que a realidade oferece, os elementos para o desempenho dos atores que cria e que ganham vida e movimento no ambiente natural em que os projeta.
Alguma dessas peças (cerca de vinte), já encenadas, são a efetiva contribuição ao teatro brasileiro, gênero que, infelizmente, entre nós, salvo exceções de primeira monta, não tem merecido o apreço dos escritores. Mas não me cabe analisar-lhe a obra, que outros mais competentes e especializados já comentaram, nos justos elogios com que a distinguiram.
Minha missão é mais restrita: prefaciar "UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL", que caminha agora para enfrentar a apreciação do público.
A bem dizer, porém, não precisa de apresentação, se o próprio autor descreve o personagem na introdução , e lhe acentua os traços de estilo , que correspondem ao que a Naç!ao conhece, nos anos em que foi figurante inconfundível no nosso cenário político, marcando-o com sua passagem fulgurante, meteórica.
É exatamente isso: Cleiber capta-lhe o jeito e os trejeitos, o estilo arrebicado, a linguagem retorcida, o tom irônico ou cínico, a vocação para o enigma ou a farsa, a permanente naturalidade , postiça e artificial, de modo que se tem uma entrevista que mostra o entrevistado em corpo, alma e divindade...
Por isso mesmo, para o leitor comum, nem sempre o texto é correntio, fluente, natural: se o fosse não seria dele...
E, inteligentemente, mantendo o clima de suspense , de toda a vida sobre o desfecho que houve , e não se explicou nunca, termina, como haveria de terminar, logicamente, inapelavelmente: sem desfecho !.
Cleiber demonstra não apenas o domínio da técnica do diálogo como a do teatro ( em que se esmerou , nas peças anteriores ) , com o apuro com que é capaz de vestir o linguajar do personagem , vivo e palpitante.
O depoimento marca-se dessa adequação, qualidade que valoriza o trabalho e lhe aumenta a autencidade.
O elogio maior que se lhe pode fazer, por isso mesmo, é um só: se entrevista não é real, é tão real como se tivesse havido, num furo de reportagem, que ganharia as primeiras páginas dos jornais !
O que basta ao autor, que a mais não poderia aspirar!"
MINISTRO OSCAR DIAS CORRÊA
Da Academia Brasileira de Letras e
Academia Mineira de Letras
| R$ 15,00 |
Formato: 15 x 21 Acabamento: Brochura (lombada quadrada) Número de Páginas: 94 Editora: Consórcio Mineiro de Comunicação - Belo Horizonte |
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Cleiber Andrade é mineiro de Conselheiro Lafaiete - MG. Escritor, dramaturgo e poeta, estreou em 1947 com a comédia de costumes UM DIA A CASA CAI... A seguir, ganhou os aplausos do público e da crítica com as peças ZERO HORA, UM ANJO CAIU DO CÉU..., inseridas na coleção do Teatro Nacional, da Editora Talmagráfica - Rio de Janeiro, DIVA, UM CAPIAU NA SOCIETY, A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA, O CACHECOL AZUL, ZÉ DO PINHO, O TRAPACEIRO, entre outras. Escreveu especialmente para Procópio Ferreira, TRÊS DIAS SEM DEUS, que o saudoso e genial ator incorporou ao seu repertório e encenou por todo o Brasil.
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