Biografia
BIOGRAFIA DO AUTOR
Cleiber Andrade é mineiro de Conselheiro Lafaiete - MG. Escritor, dramaturgo e poeta, estreou em 1947 com a comédia de costumes UM DIA A CASA CAI... A seguir, ganhou os aplausos do público e da crítica com as peças ZERO HORA, UM ANJO CAIU DO CÉU..., inseridas na coleção do Teatro Nacional, da Editora Talmagráfica - Rio de Janeiro, DIVA, UM CAPIAU NA SOCIETY, A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA, O CACHECOL AZUL, ZÉ DO PINHO, O TRAPACEIRO, entre outras.
Escreveu especialmente para Procópio Ferreira, TRÊS DIAS SEM DEUS, que o saudoso e genial ator incorporou ao seu repertório e encenou por todo o Brasil.
Na poesia, estreou com o livro INVERNO DA SAUDADE - Edição da Livraria Shalom de Belo Horizonte, com prefácio do Professor Oscar Mendes, da Academia Mineira de Letras.
Sua peça ZERO HORA foi contemplada com o prêmio Jornal A NOITE, no concurso nacional de dramaturgia do Rio de Janeiro.
Seu livro UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL - uma entrevista fictícia com o Presidente Jânio Quadros - lançado pela Editora Consórcio Mineiro de Comunicação - Belo Horizonte, com Prefácio do Ministro Oscar Dias Corrêa, da Academia Brasileira de Letras, foi efusivamente saudado por escritores e jornalistas, com significativa e elogiosa referência crítica do Professor Antônio Houaiss, da Academia Brasileira de Letras, entre outros.
Pela Editora Komedi – Campinas - São Paulo, lançou em 2002, VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES, poema de cunho social inspirado na miséria do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, prêmio do concurso nacional de poesia, da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete.
Seu último livro, ainda inédito, o romance UMA VIAGEM NO TEMPO foi o vencedor do Concurso Internacional da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete.
É membro emérito da Academia de Ciência e Letras de Conselheiro Lafaiete, possui o diploma de Honra ao Mérito Cultural concedido pela Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete, Troféu Carlos Drummond de Andrade, Troféu Djalma Andrade, Troféu Cleiber Andrade - Festival de Artes Cênicas 2001 e foi agraciado pelo Governo do Estado de Minas Gerais com a Medalha Santos Dumont, grau prata.
FORTUNA CRÍTICA DE CLEIBER ANDRADE
UM DIA A CASA CAI ... - Comédia em 3 atos - Edição do Autor - "Li sua peça. Não me surpreendeu o trabalho feito por você. Inteligente, observador brilhante desses fatos que, embora pequenos, são a verdadeira essência da vida, você acabaria - como acabou - fixando a traços seguros o bem e o mal, a sinceridade e o convencionalismo dos arranjos sociais, estereotipando-os nos seus personagens." ASTOR VIANNA, Professor de Literatura Brasileira.
A CEIA DOS USURPADORES - Sátira em 1 ato, em versos - Edição da Livraria Aliança- Belo Horizonte.
"Apesar de seu caráter particularista, muito diverte por seu bom humor. Continue a trabalhar e a dar-nos saborosos frutos de sua inteligência." CLÁUDIO DE SOUZA - Da Academia Brasileira de Letras e Presidente do P.E.N. Clube do Brasil.
CONCERTO EM SI-BEMOL - Monólogo em 2 atos -
"A estrutura da sua peça traz o cunho revolucionário exigido das novas gerações para o desenvolvimento da continuidade literária, sem nenhuma sujeição às normas a serem substituídas. CONCERTO EM SI-BEMOL, com um só personagem, abrange todos os valores necessários à renovação dramática, do ponto de vista do espetáculo, que é o verdadeiro teatro." JORACY CAMARGO - Da Academia Brasileira de Letras.
CONCERTO EM SI-BEMOL -
"Se eu tivesse nascido atriz incluiria CONCERTO EM SI-BEMOL em meu repertório. A peça de Cleiber Andrade é um desafio para as atrizes de talento" - PROCÓPIO FERREIRA- Ator e Diretor Teatral.
CONCERTO EM SI-BEMOL -
"Depois de UM ANJO CAIU DO CÉU, que tive a felicidade de produzir, e ZERO HORA , que tive a oportunidade de aplaudir, acabo de ler CONCERTO EM SI BEMOL, uma torrente de emoção que fascina e arrebata , além de confirmar a imensa reserva de imaginação do mineiro Cleiber Andrade". MIROEL SILVEIRA- Crítico teatral da Folha de São Paulo.
CONCERTO EM SI-BEMOL - "O monólogo de Cleiber Andrade tem poesia e teatro. É, sem dúvida, um ponto alto da dramaturgia nacional. "RODOFO MAYER" - Ator e Diretor Teatral.
- UM ANJO CAIU DO CÉU... - VOLUME 1 DA COLEÇÃO DO TEATRO BRASILEIRO
UM ANJO CAIU DO CÉU - Peça em 3 atos , seis personagens vividos somente por um ator e uma atriz- Volume 28 da Coleção Teatro Nacional - Editora Talmagráfica - Rio de Janeiro
"Sem entrar em considerações excessivamente técnicas, que seriam descabidas numa obra teatral, Cleiber Andrade empregou, com absoluta propriedade e correção em sua obra UM ANJO CAIU DO CÉU, aquilo que se pode obter quando se lança mão da narcoanálise como processo de sondagem das camadas profundas da personalidade.” Dr. PAULO SARAIVA - Ilustre psiquiatra e psicanalista.
UM ANJO CAIU DO CÉU... -
"É uma peça que prende a atenção e tem além disso, uma finalidade construtiva. O complexo de que é vítima a figura central é fixado com bastante realidade e a sua solução é encaminhada com muita habilidade." CELSO BRANT - Crítico de arte do jornal O ESTADO DE MINAS - Belo Horizonte.
UM ANJO CAIU DO CÉU -
"Original simples e sem qualquer sofisticação , proporcionou um espetáculo simpático e humano, que foi bastante aplaudido. Carlos Zara e Myrtis Grisoli, interpretaram com segurança os seis personagens que lhes foram confiados pelo texto de Cleiber Andrade."
MIROEL SILVEIRA - Jornal Folha de São Paulo
UM ANJO CAIU DO CÉU
"Cleiber, li de um fôlego, UM ANJO CAIU DO CÉU. É uma peça ascendente na seqüência de seus trabalhos. A concepção revela o talento específico do autor, plenamente confirmada na estruturação, no desenvolvimento, no diálogo e na conclusão. Os três papéis femininos são um achado." JORACY CAMARGO - Da Academia Brasileira de Letras
UM ANJO CAIU DO CÉU -
"A peça de um lavor notável e de uma sólida estruturação moral sacode até a medula a degradação e a dissolução para repor no seu eterno lugar o amor puro e inspirado que faz com que a sociedade que se busca se encontre. Grande peça pela intensidade , pelo arrojo dos temas que movimentam os tipos, mas sobretudo grande pelo lado humano que respira." ASTOR VIANNA - Professor de Literatura Brasileira.
UM ANJO CAIU DO CÉU - Jornal Folha de Minas - Belo Horizonte - 11-12-1955
"Mais uma temporada de sucesso está marcada para o Teatro Francisco Nunes, quando veremos a peça "Um anjo caiu do céu"do autor mineiro Cleiber Andrade, destinado a alcançar sucesso no cenário brasileiro , por seu indiscutível talento" - assevera Roberto Durval,ator conhecido do público mineiro por suas marcantes atuações em A Morte do Caixeiro Viajante, As Árvores Morrem de Pé e no cinema brasileiro.
A avant-première será uma homenagem ao governador Juscelino Kubitsheck de Oliveira, no dia 15, no Teatro Francisco Nunes."
ZERO HORA - Volume 31 da Coleção Teatro Nacional da Editora Talmagráfica - Rio de Janeiro - Vencedora do Prêmio Jornal A NOITE, concurso nacional de dramaturgia - Rio de Janeiro.
"Isto é realmente assombroso!" HONÓRIO ARMOND - Da Academia Mineira de Letras.
ZERO HORA
Li, de um jato, ZERO HORA. Fiquei deslumbrado. JORGE BUARQUE LYRA - Da Academia Paulista de Letras.
ZERO HORA
"É teatro moderno. Cleiber Andrade em sua obra corta os liames de certas convenções obsoletas na arte de representar. É talentoso esse mineiro." FERNANDO LOPES - Jornalista e Poeta.
ZERO HORA
"'Depois de 40 anos de palco, como ator e como diretor de teatro, não tenho receio em afirmar que ZERO HORA é um texto revolucionário por sua ambientação cênica, além de sua mensagem universal destinada a provocar polêmicas." SADY CABRAL - Ator e Diretor Teatral.
ZERO HORA
"Polígrafo de largos recursos, jornalista e poeta, Cleiber Andrade, contudo, mais se notabilizou como teatrólogo. ZERO HORA foi algo de revolucionário na época em que foi escrita, não só por sua angustiante densidade dramática, mas, também, pela ambientação cênica, dantes nunca vista em palcos nacionais." PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA JR.-Jornalista e cronista.
UM CAPIAU NO SOCIETY - Teatro Francisco Nunes - Belo Horizonte
Cia. ROSELY MENDES - Jornal ESTADO DE MINAS - 12.01.1964
SUCESSO DE "UM CAPIAU NO SOCIETY"
Com a presença de grande público, tivemos no palco do Teatro Francisco Nunes , a estréia da engraçadíssima comédia de Cleiber Andrade UM CAPIAU NO SOCIETY com a Cia. Teatral Rosely Mendes, o primeiro grupo profissional da capital Mineira.
As situações engraçadíssimas criadas pelo autor e bem vividas pelo elenco dirigido por René Almeida alcançaram o objetivo desejado, exigindo do público, a todo instante, estrondosas gargalhadas, apresentando de um lado o "capiau", do outro, garotas de Copacabana em trajes sumários. Em torno de toda trama que os personagens procuram envolver o "galã", surgem as situações em que aqueles que compareceram ao teatro não puderam resistir à hilariedade durante todo o desenrolar da peça.
Joaquim Miguel, o engraçadíssimo capiau e mais Rosely Mendes, Geraldo Gontijo, Carlos Leblanc e Suzy Rego mereceram os aplausos da platéia que compareceu à avant-première. UM CAPIAU NO SOCIETY é sucesso e merece ser visto por todos.
UM CAPIAU NO SOCIETY -
"A comédia de Cleiber Andrade, UM CAPIAU NO SOCIETY, sucesso absoluto no Teatro Francisco Nunes, obrigou a Cia. Rosely Mendes a programar um vesperal aos domingos às 16 horas para atender a demanda do público. Assim, doravante, aos domingos, haverá vesperal às 16 horas e soirée às 20,45, fato inédito no teatro da capital mineira." JORNAL ESTADO DE MINAS.
INVERNO DA SAUDADE - Poesia -Livraria Shalon -Belo Horizonte
"É poesia singela e sincera, sem arrebatamentos, sem exotismo, sem experiências técnicas, sem arrancos condoreiros, sem esquisitice de forma." OSCAR MENDES - Da Academia Mineira de Letras.
INVERNO DA SAUDADE -
"Poesia-poesia, pura, autêntica." MINISTRO OSCAR DIAS CORRÊA- Da Academia Brasileira de Letras.
INVERNO DA SAUDADE -
"É fiel tradutor da sensibilidade e cultura de Cleiber Andrade." PROFESSOR HILTON ROCHA - Da Academia Mineira de Letras.
INVERNO DA SAUDADE -
"Meu caro Cleiber: eu o sabia poeta. Não, porém, com a sensibilidade tamanha como no Inverno da Saudade. Seus versos são candentes e, ao mesmo tempo, simples. Quando digo simples quero significar que eles penetram em nós sem dificuldade." JOSÉ ARTHUR DE CARVALHO PEREIRA - Desembargador
INVERNO DA SAUDADE -
"É um belo livro de poesias.Como sonetista incorrigível que sou, não consigo deixar de focar mais minha atenção nos sonetos. E os de Cleiber Andrade são admiráveis não apenas pela correção da forma, mas também e principalmente, pelo conteúdo. Cleiber Andrade não é apenas um grande poeta : é um sonetista." LUNA FERNANDES - Escritor e Poeta -
INVERNO DA SAUDADE -
"Canto em que a tristeza do poeta é também a minha, de uma vida já ida e que o poeta fixa, em ritmos e rimas, de elevada sensibilidade poética. Meus aplausos." GUILHERME FIGUEIREDO - Escritor e dramaturgo.
INVERNO DA SAUDADE - O OUTONO DE UM POETA
Cleiber Andrade tem sido toda a sua vida um autor teatral. Sua atividade de teatrólogo é copiosa: somam-se em dezoito peças e dois monólogos. Mas de uma família de poetas e jornalistas, a poesia não poderia deixar de seduzi-lo como um bem de raiz que, herdado , teria que ser gasto. E eis que, na hora das melancolias e das recordações, chega o INVERNO DA SAUDADE, com sua mensagem poética, despretensiosa e modesta, fruto de espontânea manifestação dos sentimentos recônditos e das reações ao mundo ambiente, com seus dramas e suas condenáveis limitações e seus erros.
Um poeta sem compromissos com escolas. Querendo , apenas, transmitir as suas emoções e os seus pensamentos. Aliás, as escolas literárias, com seus cânones, suas regras, seus ditames, cerceiam muitas vezes a liberdade expressional do poeta, a sua personalidade mais íntima, a sua autenticidade. E os que não querem tipificar-se em simples modelos de doutrinas estéticas rebelam-se, como aconteceu com a maioria dos nossos parnasianos e simbolistas, o que o exemplo de Bilac bem ilustra.
Cleiber Andrade não segue essa ou aquela escola. Se faz sonetos e versos nos moldes das medidas e ritmos clássicos, experimenta também o verso livre, a inspiração realista do cotidiano. Há nos seus versos ecos parnasianos e simbolistas e no todo de sua inspiração a atmosfera imortal do romantismo. Há mesmo um poema seu DESEJOS, com que abre a série de seus "Poemas de Antigamente", de fatura puramente romântica e que, como ocorreu a muitas poesias de Gonçalves Dias, de Álvares de Azevedo, de Casemiro de Abreu, de Fagundes Varela e Castro Alves, poderia ser musicado e cantado nas serestas nas noites enluaradas de Minas Gerais.
Em poemas que se dizem "de antigamente" não haveria de faltar a nota de tristeza e de saudade. Uma névoa de melancolia paira no ar de muitos de seus versos, mesmo naqueles que são confissões de amor ou comentam o dia a dia da vida humana. É o que se pode verificar na série de sonetos da "Ciranda, cirandinha", em que a própria natureza da ciranda exige mais alegria e jovialidade. No entanto, o poeta dirá, descrente de uma possível floração de sonhos e ideais, quando a severidade do outono já começa a se fazer sentir:
"Floração outonal! - louca quimera!
Não pôde resistir ao frio inverno
a flor que eu apanhei na primavera.
E hoje - resto final de nosso amor -
guardo e contemplo entre tristonho e terno,
murcha, dentro de um livro, aquela flor..."
Essa nota de velada melancolia é uma constante nos versos de Cleiber Andrade, quer quando aconselha o filho, quer quando se dirige à mulher amada, ou apresenta uma reflexão sobre o espetáculo da vida. Não há neles, porém, a choradeira romântica. O poeta sempre se contém e seu sentimento não se excede. Em alguns poemas, bom mineiro que é, a atração talássica faz-se presente em metáforas, comparações, termos que lembram o mar, que falam do mar.
Sem hermetismo, nem jogos malabaristas de palavras, na segunda parte do livro, nos "Poemas de Hoje", a sensibilidade do poeta vibra na indignação contra a guerra, comove-se diante do "Moleque do Asfalto", reflexiona na "Meditação Sintética", procura solução para os problemas que oferece a "Matemática da Vida", acha que
"dura um momento a embriaguez do vinho,
dura uma vida a embriaguez do amor";
extravasa a sua amargura na "Elegia ao Sonhador Morto".
É assim a poesia singela e sincera de Cleiber Andrade, sem arrebatamentos, sem exotismos, sem experiências técnicas, sem arrancos condoreiros, sem esquisitices de forma, uma poesia em tom grave e medido que, se por um instante grita que lhe tirem do caminho a pedra, o espinho, como no poema "Lendo Carlos Drummond de Andrade", em geral, prefere sonhar com uma utópica Pásargada ou Shangri-lá , onde "tudo é silenciosamente feliz". Sonhar, porém, é uma fuga, que nem sempre salva o que foge, porque com ele vão os sofrimentos que o levaram a fugir. É o que faz sentir a poesia de Cleiber Andrade com todas as suas tristezas mas com todos os seus sonhos. PROFESSOR OSCAR MENDES - Da Academia Mineira de Letras.
UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL -
"É obra para ser lida, guardada e pesquisada por professores e cientistas políticos, sobretudo porque traz, nas linhas, nas entrelinhas, no texto e no contexto, algumas verdades nunca antes ditas..."
ALBERTO LIBÂNIO RODRIGUES - Escritor e jornalista - Presidente da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete.
UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL -
"Ao ler a obra de Cleiber Andrade é como se estivéssemos ao pé do rádio ouvindo a marcação teatral da eloqüência janiana escandir a chuva de pronomes oblíquos.É uma obra inteligente, curiosa e divertida por sobre terríveis fatos históricos."
ÂNGELO OSWALDO DE ARAÚJO SANTOS -Da Academia Mineira de Letras e ex-Secretário de Estado da Cultura de Minas Geras.
UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL -
"Cleiber capta-lhe o jeito e os trejeitos,o estilo arrebicado, a linguagem retorcida, o tom irônico ou cínico, a vocação para o enigma, ou a farsa, a permanente naturalidade , postiça e artificial, de modo que se tem uma entrevista que mostra o entrevistado em corpo alma e divindade..." MINISTRO OSCAR DIAS CORRÊA- Da Academia Brasileira de Letras e Academia Mineira de Letras.
UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL -
"Seu diálogo é estupendamente teatral. Você logrou criar uma irretocável verdade verbal da personagem, quase sem sátira, quase sem caricatura. Felicito-o com alegria , você ter colocado a nu , na entrevista, as carências sociais, políticas e culturais do nosso País, sem margem para contestação.Reitero-lhe meus parabéns pela denúncia corajosa." ANTONIO HOUAISS- Da Academia Brasileira de Letras.
UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL -
"A entrevista se nos afigura com autenticidade tal, que o leitor não consegue distinguir o real da ficção." JOSÉ MARTINS LA PORTA - Professor de Literatura Brasileira.
UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL -
"Livro analítico de um momento da vida institucional do Brasil, é leitura oportuna, principalmente pelos diálogos que só poderiam surgir do talento de um dramaturgo como Cleiber Andrade." DIRMAR DE CAIRET – Jornalista - Revista BRASÍLIA - DF.
UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL
UM PREFÁCIO DESPICIENDO
Conheci Cleiber Andrade nas lutas pela restauração democrática, em 1945, nas disputas cívicas de então, em que marchamos lado a lado, ele companheiro leal e bravo,combatente lúcido e disposto.
Durante muitos anos , nosso convívio foi amiudado; e, quantas vezes, na Rádio Clube de Minas Gerais, no seu programa político , varei a noite em debates, perguntas e respostas, submetido a longa sabatina, difícil exame vago com os ouvintes!...
Depois, cada um foi para o seu lado, cuidar da vida, e raramente nos víamos.
E eis que, agora, Cleiber me aparece com "UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL" e me pede que diga alguma coisa a respeito, num prefácio desnecessário.
Cleiber não é marinheiro de primeira viagem, ao enfrentar a árdua navegação das belas letras: veleja, há muito, com experiência e tirocínio, pelo mar da literatura e pode orgulhar-se da obra que já realizou, sobretudo no teatro, onde se sente navegante destro com rumo, bússola e porto.
Essa a sua vocação, embora a feliz experiência poética de "INVERNO DA SAUDADE", que Oscar Mendes saudou, no prefácio que abre o livro,como " poesia singela e sincera, sem arrebatamentos, sem exotismos, sem experiências técnicas, sem arrancos condoreiros, sem esquisitices de forma...", em uma palavra, poesia-poesia, pura, autêntica.
No teatro, move-se com naturalidade e graça,tirando dos motivos que a realidade oferece, os elementos para o desempenho dos atores que cria e que ganham vida e movimento no ambiente natural em que os projeta.
Alguma dessas peças (cerca de vinte), já encenadas, são a efetiva contribuição ao teatro brasileiro, gênero que, infelizmente, entre nós, salvo exceções de primeira monta, não tem merecido o apreço dos escritores. Mas não me cabe analisar-lhe a obra, que outros mais competentes e especializados já comentaram, nos justos elogios com que a distinguiram.
Minha missão é mais restrita: prefaciar "UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL", que caminha agora para enfrentar a apreciação do público.
A bem dizer, porém, não precisa de apresentação, se o próprio autor descreve o personagem na introdução , e lhe acentua os traços de estilo , que correspondem ao que a Nação conhece, nos anos em que foi figurante inconfundível no nosso cenário político, marcando-o com sua passagem fulgurante, meteórica.
É exatamente isso: Cleiber capta-lhe o jeito e os trejeitos, o estilo arrebicado, a linguagem retorcida, o tom irônico ou cínico, a vocação para o enigma ou a farsa, a permanente naturalidade , postiça e artificial, de modo que se tem uma entrevista que mostra o entrevistado em corpo, alma e divindade...
Por isso mesmo, para o leitor comum, nem sempre o texto é correntio, fluente, natural: se o fosse não seria dele...
E, inteligentemente, mantendo o clima de suspense, de toda a vida sobre o desfecho que houve, e não se explicou nunca, termina, como haveria de terminar, logicamente, inapelavelmente: sem desfecho!.
Cleiber demonstra não apenas o domínio da técnica do diálogo como a do teatro (em que se esmerou, nas peças anteriores) , com o apuro com que é capaz de vestir o linguajar do personagem, vivo e palpitante.
O depoimento marca-se dessa adequação, qualidade que valoriza o trabalho e lhe aumenta a autenticidade.
O elogio maior que se lhe pode fazer, por isso mesmo, é um só: se entrevista não é real, é tão real como se tivesse havido, num furo de reportagem, que ganharia as primeiras páginas dos jornais!
O que basta ao autor, que a mais não poderia aspirar!".
MINISTRO OSCAR DIAS CORRÊA -
Da Academia Brasileira de Letras e Academia Mineira de Letras
UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL-
Monografia apresentada como trabalho de conclusão de curso, sendo requisito necessário à obtenção da licenciatura plena em LETRAS, outorgada pela FASAR - Faculdade Santa Rita - sob a orientação da professora Eliane Aparecida Goulart Mendes - Mestre em Letras - em Novembro de 2005, sob o título: A FANTÁSTICA ENTREVISTA SURREALISTA: Literatura de denúncia -
RESUMO
"Esse trabalho monográfico tem por objetivo analisar a entrevista fictícia feita ao então presidente Jânio Quadros, apontando elementos curiosos e a necessidade de entender os fenômenos históricos ainda não abordados que exemplificam e revelam a presença de uma literatura de denúncia na obra de Cleiber Andrade e o destaque da vida política de Jânio Quadros”.
Percebe-se que por meio de um estudo descritivo da obra UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL, a possibilidade de elucidar fatos históricos inéditos e corroborar o engajamento do eclético escritor mineiro Cleiber Andrade.
Sendo assim, observa-se que Andrade, em sua entrevista ficcional, revela-se como documento histórico precioso para o estudo da política brasileira do período de Jânio Quadros e a identificação de um escritor sensível, mas também problematizador.
INTRODUÇÃO (Trechos)
Verifica-se que, durante a revisitação à obra de Cleiber Andrade, por meio de UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL, ocorrem inúmeros questionamentos e necessidade de contextualização dos fenômenos históricos que serviam de pano de fundo para a constituição de uma literatura engajada.
Observa-se que Cleiber Andrade, em sua entrevista ficcional, revela-se como uma espécie de documento histórico, político e social valioso para o estudo da política brasileira.
Por meio de fatos inéditos retratados por Cleiber Andrade, torna-se possível conhecer e identificá-lo como um escritor susceptível, mas também engajado,voltado para as questões sociopolíticas.
...ressaltando os principais assuntos abordados por Cleiber Andrade a respeito da vida política de Jânio Quadros e seu modo peculiar de avaliar e abordar a história do Brasil e do mundo através de uma entrevista fantasticamente elaborada.
Sendo assim, torna-se possível voltar no tempo e reviver momentos inéditos na História do Brasil, tendo como pano de fundo a densa e rica contribuição do dramaturgo Cleiber Andrade.
CLEIBER ANDRADE: UM AUTOR ENGAJADO (Trechos)
Houve constatação da frutificação na leitura da obra UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL de Cleiber Andrade, a partir de elementos que apontam para uma leitura engajada, ou seja, verificou-se preocupações e interesses por questões sociopolíticas.
Nota-se que essa pesquisa tem pretensão de elucidar características de denúncia social que envolve o autor Cleiber que revelou-se além de escritor lírico, um escritor engajado, destacando-as na obra estudada.
...Percebe-se que Cleiber Andrade em sua entrevista ficcionista com o ex-presidente Jânio Quadros mostra-se como documento precioso no estudo da história política brasileira, uma vez que o autor revela contatos políticos inéditos na elaboração de dados importantes em seu livro.
É visível que o cenário sociopolítico e retratado por Cleiber Andrade proporciona uma revanche em 2005 no momento em que a mídia enfatiza o "mensalão", verifica-se, então, por meio de sua obra, uma espécie de premonição. É realmente instigante o quadro sociopolítico criado por Cleiber Andrade, tendo em vista que a metáfora da vassoura ainda não se concretizou, ou seja, no Brasil a corrupção política continua, existindo apenas o trocadilho quanto aos personagens.
Ao revisitar Cleiber Andrade por meio de uma vassoura..., surgem vários questionamentos e o desejo de uma literatura de denúncia social.
...Nota-se que o eclético Cleiber Andrade tem uma literatura engajada, uma vez que ao descrever o governo de Jânio aponta fatos que corroboram esse engajamento,ou seja, interesse por questões sociopolíticas .
...Ler esta obra é como se tivesse premeditando uma cena vista por todos os jornais e telejornais atualmente, que as "falcatruas" e o cinismo de alguns governantes não é somente da atualidade.
ABORDAGEM SOCIOPOLÍTICA (Trechos)
Cleiber Andrade um renomado dramaturgo, natural de Conselheiro Lafaiete, após várias peças teatrais e inúmeros poemas resolveu escrever a obra : UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL, trata-se de uma entrevista surrealista com Jânio Quadros. Nesta obra, pode-se observar fatos verdadeiros e fictícios.O livro é uma sátira, e, segundo o próprio autor em entrevista nos concedida "sátira é a verdade exagerada". Diz que almejou fazer uma entrevista com maior grau de autenticidade possível. Optou por utilizar a linguagem teatral para que o leitor pudesse ter a idéia de estar vivendo ou ter "participado" da vida política de um presidente tão ilustre, egocêntrico, com vocação para "ditador", aspirando, talvez, governar ELE e o povo.
CONCLUSÃO (Trechos)
Ao revisitar Cleiber Andrade por meio de UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL, surgem vários questionamentos e o desejo de contextualizar e reviver fatos históricos que serviram de pano de fundo para a constituição de uma literatura de denúncia social.
Jânio, com certeza, gostaria de ter feito um governo espelhado em seu grande ídolo Lincoln, e totalmente engajado nas palavras de um dos grandes discursos proferidos em língua inglesa, um discurso feito em 1863, no cemitério de Gettysburg, na Pensilvânia, EUA, onde Lincoln proferiu essas palavras: "Um governo do povo, pelo povo e para o povo, consagrado ao princípio de que todos os homens nascem iguais... Que esta nação, com a graça de Deus, venha gerar uma nova Liberdade, e que o governo do povo e para o povo jamais desaparecerá da face da terra!"
E, para relacionar a citação acima com a Obra de Cleiber Andrade, sob o ponto de vista do Presidente Vassoura aqui analisado,bastaria esquematizar: citação de Lincoln: UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL.
VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES - Editora Komedi - Campinas- SP= 2002 - Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaiete- Concurso Nacional de Poesia.
RAÍZES DO POEMA
Ainda adolescente, tomei conhecimento da miséria brutal do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Meu orgulho mineiro recusava admitir a vergonhosa chaga social no poderoso Estado da Federação, berço das mais caras tradições culturais e cívicas da Pátria.
Não podia mais conviver com a incerteza. Fui lá, um dia, para descobrir a verdade.
Encontrei-a nos olhos profundamente tristes de uma menina de 14 anos, prematuramente envelhecida pelo sofrimento oriundo da sua vida sórdida e miserável.
Exibindo-me uma barra de chocolate , ela chorava copiosamente. Fora enganada por um caminhoneiro da Rio-Bahia - esclareceu-, com quem manteve relações íntimas para ganhar o sustento da família : mãe e uma penca de irmãos menores de vários pais..
Acrescentou que perdera dois irmãos, de fome, antes de alcançarem o primeiro ano de vida.
- E o leite da mãe ? - indaguei, idiotamente.
- Sem pão não há leite, moço - respondeu entre soluços.
A esquálida menina, meretriz precoce, era mais uma voz no coro dos excluídos,vítimas indefesas do latifúndio improdutivo, que agride a Nação com sua estúpida imoralidade.
VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES... é a síntese da minha sincera indignação contra a injustiça social, pelourinho onde a chibata de insensíveis privilegiados do poder econômico deixa lanhos profundos nas vítimas indefesas da escravidão moderna.
Pela sinceridade da denúncia, corro o risco da incompreensão.
Acredito, porém,que mais vale imitar Sócrates e erguer a taça de cicuta, do que sentar-se no trono de Pilatos. Cleiber ANDRADE.
VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES...
APRESENTAÇÃO
O poeta não pode se calar. Ainda que todos os demais se resignem, ele não escolhe o silêncio frente ao que considera injusto. Cleiber Andrade é uma dessas vozes que se levantam para despertar, com seus brados, a massa sonolenta. Sua estréia como autor se deu em 1947 e, desde então, suas inúmeras obras teatrais e poéticas vêm obtendo excelente recepção junto ao público e especial referência crítica.
Neste VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES..., Cleiber dá ao leitor um caminho fácil através do difícil tema da injustiça social. Com versos sempre cristalinos, sem malabarismos desnecessários na forma, sua palavra é envolvente do início ao fim, obrigando à leitura de um só fôlego. A princípio, bebendo na fonte bíblica, Cleiber conta a gênese à sua maneira, enfatizando a perfeição da obra divina que será pouco a pouco corrompida pelos homens. Desta forma, ele monta seu "teatro da vida", no qual os homens são os atores, os conflitos humanos, o tema, e a terra, o latifúndio improdutivo e sua posse , o palco sobre o qual tudo se desenrola e pelo qual, todo ato vil contra o próximo encontra plena justificação.
Este extenso poema de protesto intitulado VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES... encantará o leitor e, sobretudo, o fará pensar. Mas é bom lembrar que ele surgiu, como nos conta o próprio autor, da visão crua, na beira da Rio-Bahia, de uma menina de 14 anos obrigada a prostituir por força da miséria. Este único fato - um entre milhares que nos cercam - já justifica todo o livro e é suficiente para ficarmos gratos de que ao menos o poeta não se cale. SÉRGIO VALE - Escritor e Editor
VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES...
"O livro de Cleiber Andrade testemunha as injustiças cometidas contra o Jequitinhonha, também conhecido como 'VALE DA MISÉRIA". O autor solta toda a sua verve contra as injustiças sociais testemunhadas por ele, quando da sua viagem ao Jequitinhonha. O veterano autor da aplaudida peça UM ANJO CAIU DO CÉU ...produziu um longo poema, cantado à maneira das histórias orais que, ainda hoje, encantam crianças e adolescentes do Vale. Cleiber Andrade estreou em 1947 com a comédia de costumes UM DIA A CASA CAI.... Para Procópio Ferreira ele escreveu TRÊS DIAS SEM DEUS, que o genial ator encenou por todo Brasil. Autor ainda de INVERNO DA SAUDADE, teve seu livro UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL, inspirado no ex-presidente Jânio Quadros merecido aplausos de Antônio Houaiss "o escritor neste trabalho conseguiu criar uma irretocável verdade verbal da personagem, quase sem sátira, quase sem caricatura." Cleiber Andrade é uma voz em defesa do Vale do Jequitinhonha. CARLOS HERCULANO LOPES - Jornalista e Escritor - Jornal O ESTADO DE MINAS
VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES... Cleiber Andrade que tão bem escuta as "VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES"... de Minas, os aplausos e o melhor abraço mineiro do FERNANDO SABINO - Escritor.
VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES... A obra conquistou o prêmio "Cidade de Conselheiro Lafaiete", em 1984. Dezoito anos depois, o livro é finalmente publicado. Seu tema, infelizmente, continua atual".
JORNAL PONTO DE VISTA - Ouro Branco - MG.
VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES... Cleiber Andrade faz o poema do injustiçado. Um protesto de indignação contra a injustiça social. No seu lançamento, o livro foi apresentado pelo jornalista Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, Secretário de Estado da Cultura de Minas Gerais. A estréia de Andrade como autor se deu em 1947 com o texto teatral UM DIA A CASA CAI... Entre outras obras do escritor para o teatro estão "UM ANJO CAIU DO CÉU..., ZERO HORA, DIVA, TRÊS DIAS SEM DEUS, escrita especialmente para Procópio Ferreira. JORNALISTA NAOMI SOGAWA - Jornal O TEMPO - Belo Horizonte.
VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES...
"O escritor Cleiber Andrade estará realizando a tarde autógrafos de sua mais recente obra: VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES..., um poema dramático que emociona e fala de problemas que serão eternos enquanto perdurarem as injustiças. Cleiber volta a produzir mais um trabalho de largo alcance cultural. PAULO ANTUNES - Escritor e Professor Universitário-Jornal CORREIO DA CIDADE - Conselheiro Lafaiete.
VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES...
"O poeta Cleiber Andrade, mineiro de Conselheiro Lafaiete, deu de cara com menina de 14 anos em pranto, no Vale do Jequitinhonha; ela chorava porque fora enganada por um caminhoneiro que a possuíra na cabine de seu veículo em troca de pedaço de chocolate. Nem sequer a garota lamentava sua desgraça: lamentava a recompensa: ela disse ao poeta que precisava de dinheiro para levar comida para a penca de irmãos menores; cada qual tem um pai,nenhum homem em casa. A mãe, meretriz, sumira. A menina previa a morte dos irmãos com fome. Cleiber Andrade conseguiu fazer disso um poema. Está no livro VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES... Lançamento recente da Editora Komedi – Campinas - São Paulo. Nem é preciso gabar-lhe o dom. Os artistas e os poetas têm a auréola de profeta. MANOEL LOBATO - Jornalista e Escritor - Jornal O TEMPO - Belo Horizonte.
VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES...
"Léguas, léguas, muitas léguas" é o estribilho que denota a abrangência do poema VOZES DA TERRA , na história da opressão do homem.
Professora Ângela Bedran - Psicóloga e Mestre em Letras.
- A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA - VOLUME 2 DA COLEÇÃO DO TEATRO BRASILEIRO
A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA – “A Tradicional Família Mineira é uma deliciosa comédia enfocando a estrutura familiar mineira, com seu regime essencialmente matriarcal, seus conservadorismos, seus resquícios de nobreza, seus vestígios de aristocracia, reminiscentes de uma era de opulência que teve suas raízes no período colonial do nosso país. E tudo isso abordado com o acurado senso de humor e a sátira sutil, características do estilo literário de Cleiber Andrade.” - Luna Fernandes - Escritor
A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA
"A engraçadíssima comédia de Cleiber Andrade, "A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA", que está sendo apresentada no Teatro Rádio Jornal, pela Companhia Rosely Mendes, entra em sua segunda semana de sucesso e vem atraindo um bom público, que não consegue se manter sério durante os três atos. Renê de Almeida, Rosely Mendes, Joaquim Miguel e Suzy Claire, principais personagens dessa interessante peça, conseguem nivelar-se aos melhores artistas do país. Os espetáculos vem sendo apresentado diariamente às 20:45 e domingo também às 16 horas. Jornal ESTADO DE MINAS - 15-09-1964
A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA GANHA HOJE UM NOVO TEATRO - Jornalista Matilde Biadi - O ESTADO DE MINAS - 3.9.1964
"Logo mais à noite a TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA, de Cleiber Andrade, estará sendo encenada pela Cia. Teatral Rosely Mendes, no Teatro Rádio Jornal. O ato se reveste de excepcional importância para o teatro da cidade, porque Belo Horizonte ganhará uma casa de espetáculo, e a Cia. Rosely Mendes iniciará de fato o seu ciclo profissional. Hoje, portanto, às 21 horas, Rosely Mendes estreará o novo Teatro Rádio Jornal. Teatro, sob qualquer aspecto, é uma das bases mais importantes para a formação de um povo. E colaborar para a formação de sua cultura, implica também em perder um pouco de seu conforto burguês. Ir ao teatro, aplaudir ou vaiar, é uma atuação necessária dentro da coletividade onde vivemos. E o Teatro Rádio Jornal é logo ali. Rua Guarani, 587”.
A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA
"Com A TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA, de Cleiber Andrade, a Cia. Rosely Mendes inaugurou ontem, às 20:45, o Teatro Rádio Jornal, mostrando ao público que lotou o teatro uma deliciosa comédia satírica aos costumes de certas famílias da sociedade mineira”.
"A Tradicional Família Mineira" é a quinta peça da Companhia Rosely Mendes, primeiro conjunto profissional de Minas, que já mostrou aos belorizontinos "Panorama Visto da Ponte", "Simbita e o Dragão", "Esquina Perigosa" e "UM CAPIAU NO SOCIETY" também de Cleiber Andrade, maior sucesso de público e bilheteria da companhia que, após quatro meses de sucesso no Teatro Francisco voltará à cena, em reprise, no Teatro Rádio Jornal." JORNAL O DIÁRIO - BELO HORIZONTE.
O CACHECOL AZUL E O TRAPACEIRO - Jornal DIÁRIO DE MINAS - BELO HORIZONTE -
"O Grupo do Teatro Experimental de Conselheiro Lafaiete, está representando as peças em 1 ato O CACHECOL AZUL e o TRAPACEIRO do vitorioso teatrólogo mineiro Cleiber Andrade, responsável pelo retumbante sucesso da Cia. Rosely Mendes com o seu texto UM CAPIAU NO SOCIETY, que permaneceu em cartaz na primeira temporada da companhia por 4 meses consecutivos, acontecimento inédito no teatro da capital mineira.
As peças serão representadas pelos atores Jair Junqueira e Aloísio Guimarães, dois valorosos nomes do teatro lafaietense".
DEPOIMENTOS SOBRE CLEIBER ANDRADE E SUAS OBRAS
Carta de Joracy Camargo, da Academia Brasileira de Letras
Rio, 18 de outubro de 1958
"Meu prezado amigo e confrade, Cleiber
Somente agora, regressando da Europa, é que tive a imensa alegria de ler sua carta do dia 28 de agosto último. Bem pode você imaginar o meu contentamento quando ali há motivo de sobra para isso. Não quero hierarquizar os motivos de minha alegria, mas hei de enumerá-los: a generosa dedicatória de "Um anjo caiu do céu"... ; a impressão e representação de suas peças; a gentileza da confissão de uma influência que não existiu senão no estímulo a um jovem que, como os autênticos valores era um teatrólogo nato, como foi demonstrado; a interpretação pelo grande Procópio de "Três dias sem Deus", que trás um título marcante da autenticidade do autor; as palavras de carinho a um velho autor retirado, em suma, uma carta que a gente guarda como documento humano dos mais expressivos, numa época em que os gestos negativos quase nos levam ao desânimo.
Li, de um fôlego, UM ANJO CAIU DO CÉU... É uma peça ascendente na seqüência de seus trabalhos. A concepção revela o talento específico do autor, plenamente confirmado, no desenvolvimento, no diálogo e na conclusão. Os três papéis femininos são um achado.
Agradeço a honra da homenagem.Na minha extensa geografia sentimental a cidade de Conselheiro Lafaiete é você, assim como Porto Alegre é o Érico Veríssimo, Recife Gilberto Freire, etc. etc.
Na esperança de poder abraçá-lo, pessoalmente, aqui antecipo o meu afetuoso e fraternal abraço.
Seu, como sempre,
JORACY CAMARGO.
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Carta do Professor Antonio Houaiss - Da Academia Brasileira de Letra
Rio, 23 de agosto de 1996
Caro Cleiber Andrade
Sua "entrevista" com o senhor Vassoura teve em mim um efeito superior ao que pode imaginar: servi-me dela quando fui entrevistado em Santos, juntamente com meu grande amigo Francisco de Assis Barbosa, sobre as "forças ocultas" da renúncia.
Seu diálogo é estupendamente teatral. Você logrou criar uma irretocável verdade verbal da personagem, quase sem sátira, quase sem caricatura. Felicito-o com alegria, você ter colocado a nu, na entrevista, as carências sociais, políticas e culturais do nosso País, sem margem para contestação. Reitero-lhe meus parabéns pela denúncia corajosa.
Com meu abraço,
ANTONIO HOUAISS.
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CARTA DE PROCÓPIO FERREIRA QUANDO REPRESENTAVA, EM LISBOA, "A RAPOSA E AS UVAS" de Guilherme Figueiredo.
Lisboa, 5 de março de 1958
Querido Cleiber,
Já não embarco como era meu plano. Reformei o contrato. Vou ficar por aqui mais algum tempo.
Insisto na remessa de tuas peças, principalmente ZERO HORA. Remeta-as ao meu irmão Jaime para que ele do Rio, me mande por avião.
Aqui vai tudo bem. Saúde em casa e tranqüilidade. E vocês? Espero que o mesmo se passe.
Na primeira oportunidade, representarei a sua peça TRÊS DIAS SEM DEUS.
Por hoje é só. Grandes abraços para você, sua Senhora e seu encantador herdeiro, de todos nós.
Até breve,
PROCÓPIO.
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CARTA DO ESCRITOR GUILHERME FIGUEIREDO
Caro confrade Cleiber Andrade
Muito grato por suas palavras tão generosas sobre a minha crônica natalina. E agradeço-lhe pela remessa de ZERO HORA, que eu já conhecia dos bons tempos da Coleção Teatro Nacional, e pelo INVERNO DA SAUDADE, canto em que a tristeza é também a minha, de uma vida já ida e que o Poeta teima em fixar em ritmos e rimas. Gostei. E gostei da homenagem de me mandar esses versos, bem parecidos com os que me comoveram e lhe envio agora.
Abraços de saudade.
Seu,
GUILHERME FIGUEIREDO.
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COMENTÁRIOS DO JORNALISTA JOSÉ DE SOUZA JÚNIOR, PROFESSOR DE LITERATURA BRASILEIRA SOBRE CLEIBER ANDRADE
UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL
Cleiber Andrade "entrevista" Jânio Quadros
Eis aí um título e um sub-título instigantes para quem conhece e admira o laureado escritor mineiro.
Polígrafo de largos recursos, jornalista e poeta, Cleiber Andrade, contudo, mais se notabilizou como teatrólogo e tem, em seu brilhante currículo,a consagração de haver sido representado por ninguém menos que Procópio Ferreira, o até hoje, inigualável gênio da ribalta brasileira.
Rigoroso, culto e exigente ao extremo quanto aos originais que lhe eram oferecidos às centenas,nos tempos em que reinava absoluto nos palcos do Brasil, Procópio se entusiasmou com "TRÊS DIAS SEM DEUS", peça teatral de Cleiber Andrade, incluiu-a em seu selecionadíssimo repertório e a apresentou Brasil afora. Tal fato, melhor que palavras, define o nosso teatrólogo.
Apesar da seriedade e da originalidade de suas peças teatrais (ZERO HORA foi algo de revolucionário na época em que foi escrita, não só por sua angustiante densidade dramática, mas também, pela ambientação cênica, dantes nunca vista em palcos nacionais), Cleiber Andrade jamais deixou de exercitar o lado sarcástico e satírico de sua multifacetada personalidade.
Jânio Quadros foi um político "sui generis". Um reformador. Um idealista. Um rebelado diante dos morosos processos da política convencional, sobretudo da política convencional brasileira. Daí os "bilhetinhos" com que tentou vencer o ramerrão da burocracia planaltina. O Legislativo dava-lhe engulhos, causava-lhe cãibras na alma... Fora hoje, teria governado com as famosas "Medidas Provisórias" que se tornam definitivas por reedição, como está a fazer o atual Presidente.
Professor de Português, lexicógrafo, pronominalista minucioso, embasbacou o vulgo e entrou para o nosso anedotário, antes e depois da sua inesperada renúncia...
Um "prato cheio" para a inesgotável verve de Cleiber Andrade.
A "entrevista" é saborosa, fascinante, instrutiva e, em todos os seus trâmites, se nos afigura miraculosamente verdadeira.
Li-a de uma "sentada". Releio-a, ainda agora. Certamente, será para mim, como de resto, para todos os leitores cultos e de bom gosto, leitura recorrente e deliciosa.
Souza Júnior.
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JORNAL "ESTADO DO PARANÁ" - COLUNA DO JORNALISTA ROGÉRIO DELLÊ - TEATRO
VENCEM OS AUTORES NACIONAIS
Alguns empresários ainda esperam derrotar a lei que protege os autores nacionais, e andam, enviando memoriais ao governo. O engraçado é que entre os signatários desses documentos estão pessoas que devem precisamente o máximo de sua prosperidade aos escritores nacionais, como Sandro Polônio, que pôde agora viajar para a Europa com o dinheiro ganho com "Moral em concordata", de Abílio Pereira de Almeida...
Precisamente neste momento, está Sérgio Cardoso recuperando algo do dinheiro que perdeu com "Hamlet" - e com que peça! "A Raposa e as Uvas" de Guilherme Figueiredo. E no ano passado, com que autores as companhias obtiveram seus melhores lucros? TBC com "Santa Marta Fabril", de Abíkio Pereira de Almeida, Alda Garrido com "Dona Xepa" de Pedro Bloch. E este ano, a comédia que salvou Eva Tudor dos prejuízos com peças estrangeiras foi "Lotária", escrita pelo sempre vivo Luiz Iglézias.
Este ano, em São Paulo, as peças com maior densidade de público são: "O Ministro do Supremo" de Armando Gonzaga e "UM ANJO CAIU DO CÉU", do teatrólogo mineiro Cleiber Andrade, no Teatro Natal da Avenida São João. "UM ANJO CAIU DO CÉU" tem como intérpretes Carlos Zara (Cedido por Sérgio Cardoso) e Mirtis Grisoli, primeira estrela do rádio teatro paulista que agora faz sua brilhante estréia no teatro de palco. A peça para dois personagens apenas (cada qual com três interpretações diferentes) muda de clima de ato para ato e consegue interessar e surpreender o espectador ao correr dos três atos.
Que as cassandas da dramaturgia brasileira calem suas vozes desde já, para não ficarem envergonhadas quando começarem a surgir textos cada vez mais expressivos dos autores nacionais...
Rogério Dellê.
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SEGUNDO FACE - FESTIVAL DE ARTES CÊNICAS DE CONSELHEIRO LAFAIETE-MG
Conselheiro Lafaiete,06 de setembro de 2001
Ilmo. Sr. CLEIBER ANDRADE
Vimos por este, comunicar-lhe oficialmente a realização do II FACE- FESTIVAL DE ARTES CÊNICAS DE CONSELHEIRO LAFAIETE nos dias 11, 12, 13 e 14 de outubro de 2001. No mesmo, Grupos Teatrais de toda Minas, estarão reunidos em Lafaiete para apresentações, oficinas e palestras.
Posteriormente enviaremos uma programação completa do evento, para melhor informação a V.Sa, porém adiantamos que contaremos com a presença do Sr. Secretário de Estado da Cultura, da Sra. Presidente do Sindicato dos Artistas de Minas, do Sr. Representante da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais e outras autoridades. Porém, o objetivo maior desse documento é oficializar o nome de V.Sa como representante da classe artística teatral (autor de textos teatrais) como patrono do evento neste ano de 2001, emprestando Vosso Nome ao troféu que constituirá no Prêmio de Teatro de Conselheiro Lafaiete Dr. Cleiber Andrade. Esperamos poder contar com V.Sa, no que diz respeito a prestigiar com sua presença, os artistas participantes. Os momentos mais solenes, com certeza serão a
abertura e o encerramento que a tempo e à hora, passaremos às suas mãos: local, horários e datas com maior exatidão.
No momento, solicitamos de V.Sa uma autorização por escrito, para que possamos fazer uso do nome "Cleiber Andrade "na premiação a que nos referimos, dando-nos a honra de homenagear tão exímio escritor teatral.
Certos da atenção, agradecemos.
Respeitosa e Teatralmente,
Geraldo Lafayette
Coordenador
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UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL - PRÉ-VESTIBULAR POTÊNCIA - ESTUDO DA OBRA - PARA VESTIBULAR DA FACULDADE DE DIREITO DE CONSELHEIRO LAFAIETE - (TRECHOS)
"UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL é uma obra que convida o leitor a fazer uma viagem através de nossa história para tomar conhecimento de uma agitada época política e chegar mais perto de um intrigante personagem de nossa história: o enigmático ex-presidente Jânio Quadros.
A obra tece dentro de um processo dialético que amarra a realidade e simulacro perpassada de elementos trágicos e cômicos que criam tensão e forte expectativa uma vez que busca elucidar as possíveis causas que teriam levado o presidente Jânio Quadros renunciar ao cargo de presidente da República, no dia 25 de agosto de 1961.
Alguns elementos que caracterizam a obra:
1-A LINGUAGEM RETÓRICA E PROLIXA: "Intermediário entre a incompetência e a capacidade, a autoridade e a sabujice, o medíocre tem o furor dos mares bravios e não passa de um córrego, prenuncia um tufão e solta um traque, jacta-se de um fôlego de maratona e não faz sequer um "cooper" de 100 metros."
2-TOM IRÔNICO: "Conta que o senhor presidente João Belchior Goulart queria a reforma agrária desde que não tocasse em seu latifúndio, maneira singela de fazer cortesia com o chapéu alheio".
3-USO DE DITOS POPULARES ENQUANTO RECURSO DE ARGUMENTAÇÃO DO PERSONAGEM: "As condições da entrevista foram impostas pelo Presidente, sem qualquer concessão ao Repórter, que no afã de obtê-la "não tugiu, nem mugiu"
"Em festa de nhambu, jacu não entra."
4-LINGUAGEM INTERTEXTUAL: “retirei" o manto diáfano da fantasia” e a verdade será revelada agora, para o julgamento dos pósteros."
"Sob o manto diáfano da fantasia a nudez crua da verdade." - Eça de Queiroz, numa referência à estética realista.
5-CITAÇÕES DE POLÍTICOS E, PORTANTO, PERTINENTES AO DISCURSO: "Em política o crime é perder" - Paulo Maluf
"A República é uma besta que pari de quatro em quatro anos e sofre dois com as dores do parto." - Carlos de Laet
"Eu vos dei minha vida. Agora vos ofereço a minha morte." - Getúlio Vargas
6-PRESENÇA DE RUBRICAS PARA INDICAR O CARÁTER DRAMÁTICO DA ENTREVISTA:
Presidente (Interrompendo, no auge da ira. Levanta da poltrona com alguma dificuldade. Teatral)
7-ERUDIÇÃO E CITAÇÕES LATINAS: "Consola-me repetir Sêneca: QUAE FUIT DURUM PATI MENISSE DULCE EST. Isto é, o que foi duro de suportar é doce de lembrar.”
"Homo Homine Lupus - O homem é o lobo do homem - ensinaram Bacon e Hobles.”
RECOMENDAÇÃO FINAL
Caro Vestibulando,
Fazer um estudo de uma obra como UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL requer muito cuidado, traduzi-la numa linguagem mais simples seria ir contra o espírito da própria obra. Quanto muito podemos fazer alguns recortes, realçar certas particularidades para que o leitor faça uma leitura mais atenta e inteligente.
Embora durante todo o transcorrer da entrevista, se crie grande expectativa em torno de uma importante revelação - o motivo que teria levado o presidente Jânio Quadros a renunciar - o mais importante da obra é o discurso - linguagem, é nesse aspecto que devemos nos prender.
Através do discurso-linguagem a personagem vai se tecendo, construção ambígua é bem verdade, enigmática como foi o personagem da história. É nesse universo que reside a grande técnica do escritor que consegue fundir, magicamente, ficção com realidade. Prazer estético e informação histórica.
Mas lembre-se, caro vestibulando, somos uma espécie de co-autores daquilo que lemos; a leitura eficiente de uma obra de ficção depende também de nossos textos internos.
Para fazer uma leitura eficiente de UMA VASSOURA NA HISTÓRIA DO BRASIL, você teve que recorrer a outros textos - foi beber outras fontes - já que na obra há uma constante conversa entre textos, ou seja, nela é muito presente a fala intertextual (referências, citações, alusões, paródia, etc.) . E à medida que foi se informando, o texto foi se abrindo para você. Por isso leia e faça da leitura um projeto inadiável."
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CARTA DA CÂMARA MUNICIPAL DE CONSELHEIRO LAFAIETE
COMUNICANDO A OUTORGA DO DIPLOMA DE HONRA AO MÉRITO NA ÁREA ARTÍSTICA CULTURAL AO SENHOR CLEIBER ANDRADE
Em 20 de março de 2002
Ofício no. 112/2002
Prezado Senhor,
Pelo presente, temos a imensa alegria de comunicar a V.Sa que tramitou, nesta Casa, o Projeto de Decreto Legislativo no. 009/2002, hoje Decreto Legislativo 007/2002 que Outorga Diploma de Honra ao Mérito na Área Artística Cultural ao SENHOR CLEIBER ANDRADE (em anexo).
Num gesto de justo reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à comunidade pelo digno homenageado, a Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete aprovou por unanimidade a propositura de autoria do ilustre Vereador Valdir Vieira de Resende.
Oportunamente comunicaremos a V.Sa a data designada para a entrega de tão importante honraria.
Apresentando-lhe os nossos protestos de elevado apreço, subscrevemo-nos
Atenciosamente
Vereador Benito Nicolau Laporte
Presidente da Câmara
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CORRESPONDÊNCIA DO JORNALISTA E RADIALISTA PROFESSOR SOUZA JÚNIOR SOBRE A OBRA DE CLEIBER ANDRADE "VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES..."
Belo Horizonte, 3 de outubro de 1985
Meu caro Cleiber,
Li, encantado, os versos candentes do seu "VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES..."
Reli-os, ao depois, com a profunda reflexão que eles são capazes de inspirar a quem tenha sensibilidade para se comover diante dos males sociais que infelicitam a nossa gente: a miséria, a fome, a doença, a mortalidade infantil, o analfabetismo crônico - males que parecem não ter fim...
Diante de tudo isto, rebela-se a sua alma de poeta, de criatura humana, de homem de bem, e o seu verso, sempre cristalino e inspirado, tantas vezes lírico e romântico, se transforma em azorrague, brandido com mão de mestre, a expulsar os vendilhões do Templo:
"em tudo a mesma torpeza:
- ao justo vence a vileza;
- a censura ao pensador;
- sobre a paz triunfa a guerra
- o egoísmo vence o amor.
O tirano USURPA A TERRA,
E O LATIFÚNDIO IMORAL
oprime e sepulta os sonhos
de justiça social."
Poema-libelo, seu trabalho, na forma e no fundo, revela o esteta, o versejador brilhante e o homem preocupado com os grandes problemas do nosso tempo e da nossa Pátria e está destinado a despertar consciências, a confranger corações e a edificar propósitos. Este será, tenho certeza, o seu nobre e belo destino. Não posso augurar-lhe nada melhor. Meus parabéns!
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CARTA DE PROCÓPIO FERREIRA QUANDO DE SUA TEMPORADA EM PORTUGAL
Lisboa, 6 de dezembro de 1958
Querido Cleiber:
O sucesso é enorme. Estamos todos bem. Não lhe escrevi há mais tempo aguardando a estréia. Apesar de tudo de bom, as saudades dos amigos são enormes. Ainda não sei quanto tempo ficarei por aqui. Qualquer notícia eu lhe mandarei.
Desejo-lhe um Natal feliz e um ano cheio de tudo o que deseja.
Lá para o dia 15 seguirá os cinqüenta mil que a sua bondade houve por bem emprestar-me.
Para você, Irah e Cleibesinho muitos abraços de todos nós, e uma infinita saudade.
Seu, de coração
Procópio
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LISBOA, 15/01/58
Meu caríssimo Cleiber,
Até hoje, dia 15 ainda não recebi os exemplares de "Diva". Assim que os receber farei a distribuição.
Ao término de minha temporada seguirei para o Brasil onde pretendo chegar dia 18 de março.
Esta aventura teatral que eu supunha ser longa acaba inesperadamente. Sabe porquê? Vão demolir o Teatro Variedades. Aqui como em nossa terra, o desapreço à arte segue a mesma rota.
A situação do teatro português é a seguinte: há dois teatros oficiais, sem o menor interesse para o público. Panacéias históricas para adormecer cada vez mais a consciência deste povo. Outros dois estão nas mãos de um Empresário desmoralizado, que não paga os artistas. Os dois restantes com os meus empresários. Um vai para o teatro de revista, o outro com uma comédia. O da revista vai ser demolido. Esta passará para o teatro onde eu estou atualmente, e assim ficarei sem função. Há dezenas de artistas desempregados. Uma miséria. Nesta temporada nada pude fazer além de representar "A Raposa e as uvas" e o "Avarento". Meu compromisso de representar alguns autores nossos, entre os quais você, não deve acontecer em razão dessas terríveis circunstâncias. Volto sem desarrumar as malas. Farei então o seguinte: ao chegar ao Brasil farei diversas cidades e incluirei Lafaiete para que tu possas assistir "Três Dias sem Deus" que, além de Lafaiete representarei em outras cidades. Sua peça já está definitivamente em meu repertório, para as próximas temporadas.
Ao chegar conversaremos sobre tudo que aconteceu aqui em Lisboa.
O dinheiro seguirá pelo meu irmão Jayme que o fará chegar até você.
Muitos abraços de todos nós na Irah e cleibesinho.
Seu,
Procópio
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Lisboa, 10/12/1957
Meu caríssimo Cleiber,
Tive hoje uma idéia que não é mais do que o desenvolvimento de uma conversa que tivemos em nossa casa, em Paraíba do Sul. É a seguinte: você me manda todas as suas peças. Eu faria uma leitura, selecionaria e na minha volta ao Brasil reapareceria em Lafaiete, fazendo a semana do teatro mineiro na pessoa de seu grande autor? Que tal? Acha bem? Faríamos estrear no repertório aquele seu amigo e, se possível, mais alguém do que tenha valor. Pense no assunto e escreva-me. Por aqui tudo bem. "A Raposa e as uvas" continua em cena com grande êxito. Já lhe escrevei há vários dias. Recebeu? O meu compromisso já seguiu para o meu irmão. Mais uma vez gratíssimo.
Estou, apesar de glórias e dinheiro, muito saudoso do Brasil, isto é, dos amigos.
Recomende à dona Irah e ao seu tirano Cleibesinho.
Um abraço do seu
Procópio.
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Nova Iguaçu, 28/1/73
Meu caríssimo Cleiber,
Parabéns pelo diploma. Nós estamos morando na Rua Francisco Baroni, 159-Bairro K-11 - Nova Iguaçu. Fica distante 45 minutos da Praça Mauá. Não é tão longe assim.
Eu, no momento, estou sem função. Talvez abra uma Escola de Teatro. Estou estudando o assunto.
Com minhas saudades despeço-me. Recomende-me à Madame e ao menino.
Um abraço do seu
Procópio
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Nova Iguaçu, 9 de agosto de 1978
Meu querido Cleiber,
Depois de tantos anos sem nos vermos encontramo-nos num momento em que todo mundo estava apressado e, não pudemos trocar palavras de nossas vidas mas, a saudade que guardo de ti e que está sempre presente, me obriga hoje vir ao teu encontro para te abraçar muito e muito como nos velhos tempos.
Eu ainda vou ficar sem poder sair de casa talvez um mês. Seria tão bom para o meu espírito conversar contigo longamente, teu talento e tua cultura sempre me comoveram criando essa amizade que dura até hoje.
Gostaria de falar sobre a Delta Larousse. Abrindo para consultá-la sobre Luiz Gama lá encontrei um erro que nas próximas edições deve ser evitado. O erro é o seguinte: todas as datas sobre o Almirante Saldanha Marinho estão erradas. Como você sabe, Saldanha foi morto pelas tropas de Floriano durante a revolução de 93. Temos muitos assuntos para conversarmos, a questão é o tempo. Por hoje é só.
Recomenda-me à tua senhora, abraços no Cleibezinho por mim e para você todo o meu coração.
Procópio
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VOZES DA TERRA E OUTRAS VOZES - Carta do governador Itamar Franco
Prezado poeta Cleiber Andrade,
Pelas mãos amigas do Secretário Ângelo Oswaldo, recebi o exemplar autografado de "Vozes da Terra e outras vozes...", que acaba de ser lançado em Conselheiro Lafaiete.
Trata-se de lembrança que me sensibiliza. Já é longa relação de obras de sua autoria, sobretudo no campo do teatro, no qual vozes abalizadas como as de Joracy Camargo, Procópio Ferreira e Rodolfo Mayer reconheceram o seu protagonismo. Mais um livro de poesia é agora saudado com entusiasmo.
Nascido da indignação diante das terríveis condições sociais que desejamos suplantar, o seu poema nos traz o clamor das "vozes da terra" tal como o grande poeta Castro Alves ainda nos faz ouvir as "Vozes d´África". São versos que nos animam a prosseguir na busca de um país mais justo e mais feliz.
Receba, caro escritor Cleiber Andrade, com o meu reconhecimento, um abraço fraterno de elevada estima e perfeita consideração.
ITAMAR FRANCO
GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS
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CORRESPONDÊNCIA DA DIRETORA DE TEATRO WANDA BARCELOS A RESPEITO DA PEÇA "ZERO HORA"
São Paulo, 25 de setembro de 1961
CLEIBER
ZERO HORA, em seus ensaios vai as mil maravilhas, entretanto, reprovei como nunca um colosso de candidatos ao primeiro papel de sua peça. Dentro em breve enviarei a você, se Deus ajudar, o seu convite especial, que para mim constitui motivo de honra, poder convidar um dos nossos autores brasileiros, tão inteligente, digno de expressiva homenagem por parte de um público culto e selecionado, como merece sua peça.
Rogo a Deus a que possa realizar com o máximo sucesso a sua famosa "ZERO HORA", cujo texto adorei, e dirijo-a com todo carinho.
Um grande abraço da
WANDA BARCELOS
(Wanda Barcelos é diretora do TEATRO ARTÍSTICO PAULISTA, além de ZERO HORA dirigiu também, de Cleiber Andrade, "UM ANJO CAIU DO CÉU")
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CLEIBER ANDRADE, patrono do GRÊMIO TEATRAL DA AMADORES DE PROPRIÁ
Propriá (Sergipe), 2 de dezembro de 1964
Ilmo. Sr.
Cleiber Andrade
BELO HORIZONTE - MG
Prezado Teatrólogo,
Levamos ao conhecimento de V.Sa que, o GeTeAPê, fundado em 2 de agosto de 1963, pelo Professor Manoel Ferreira Rocha, nesta cidade, em sessão realizada em 2 de abril de 1964, ordinária, seu nome foi escolhido como PATRONO do nosso glorioso Grêmio, por unanimidade.
A nossa atitude se fundamenta no fato de nossa primeira encenação ter sido a peça de sua autoria "UM DIA A CASA CAI..." e, sobretudo, por ter sido o veículo de nossa consagração em nosso Estado e no vizinho estado de Alagoas. Na realidade, sua alma cômico-filosófica vibrou brilhantemente na pena, ao produzir a obra.
Esperamos contar com seu decidido apoio e, esperamos ser no interior pregoeiros da cultura da arte plantada na seara da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.
Pela Diretoria
José Bispo da Silva - Presidente
Luiz Santos Carvalho - Secretário
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CARTA DO ESCRITOR E TEATRÓLOGO DANIEL ROCHA SOBRE INVERNO DA SAUDADE
Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1985
Meu caro Cleiber,
Recebi seu livro "Inverno da Saudade" que pelo visto é o seu primeiro livro de versos.
O seu "inverno tem o sabor de Primavera", pois você verseja com espontaneidade de um poeta jovem, visivelmente enamorado das rimas.
Meus parabéns e o meu muito obrigado, pois foi um grande prazer para mim conhecer o poeta que estava escondido em Você.
Vou fazer uma referência a esse seu trabalho na Revista de Teatro. E em meu nome e de Rachel manifesto nosso reconhecimento pela amável dedicatória com que nos distinguiu, ao enviar-nos seu livro.
Recomendações à senhora e aproveite a sua "ociosidade com dignidade" para continuar dedilhando a sua Lyra.
Um grande abraço
do amigo e admirador,
Daniel Rocha.
